Viva Vitória !

Viva Vitória!

Vitória, que completou 463 anos de fundação, vive uma espécie de esplendor. A cada dia mais colorida, limpa e arrumada, a cidade transmite a impressão de estar sendo bem cuidada pelos que são pagos para fazê-lo e pela população que nela mora e trabalha. Essa impressão ficou mais evidente ao levar velhos amigos paraibanos para passear. Já se foi o tempo em que eu tentava esconder o descaso com lugares públicos localizados em pontos de passagem obrigatória. Lembro-me de uma conversa que tive a esse respeito com um candidato a prefeito, há muitos anos. Sugeri que considerasse, como referência nas suas decisões, a necessidade de fazer com que o cidadão sentisse orgulho da sua cidade.

Com o trânsito cada vez mais complicado, tenho aproveitado as esperas nos sinais, muitos deles com cronometro, para olhar com calma a paisagem urbana, avaliar o piso das calçadas, observar o novo padrão das placas indicativas e de sinalização, vistoriar a manutenção dos jardins e gramados e as condições dos pontos de ônibus (agora sem cartazes de cartomantes), conferir a demarcação das pistas para bicicletas aos domingos e feriados e o uniforme dos guardinhas municipais, avaliar o serviço de varreção de ruas e calçadas e assim por diante. Posso garantir que estou satisfeito com o que tenho visto. A consciência do que se tem e do quanto a coisa melhorou é condição indispensável para fazer brotar a sensação de conquista e de apreço coletivo. Bem sei que o pessoal trabalha com a expectativa de que o reconhecimento se transforme em voto certeiro, no momento devido. O fato é que, felizmente, há o que comemorar. Em tempo de aniversário a festa se justifica.

Não sei se você reparou, mas a semana passada foi rica em acontecimentos que bem expressam os tempos que se vive aqui em Vitória. Na enseada da Curva da Jurema, um campeonato de canoa havaiana e de pranchas fez muita gente sair de casa para ir ver de perto o pessoal remar com convicção, em sincronia, feliz da vida. Confesso que senti uma certa inveja. É que remar em canoa me remete aos tempos de juventude, que já vão distantes. No fim de semana, o Centro da cidade ferveu com a realização do Viradão Cultural, um projeto ousado que mobiliza, provoca e distrai muita gente. A época de desapreço por suas ruas apertadas vai dando lugar a um sentimento de rebeldia contra a lógica perversa do crescimento urbano. Ganha força um movimento que valoriza e transforma região da Rua Sete e adjacências em uma barulhenta e colorida trincheira. Foi bom saber que as principais atividades do Vitória Cine Vídeo seriam realizadas no Teatro Carlos Gomes, uma ótima casa para receber quem gosta e quem faz cinema. Vejo que escrever isso também me remete ao passado. Era no Centro que funcionavam os cinemas, aconteciam as domingueiras e os bailes de gala, os desfiles escolares da infância, os trotes de vestibular, as passeatas e onde se bebia cerveja gelada discutindo costumes e política, noite a dentro.

Vi nas colunas sociais que muita gente foi assistir a apresentação de uma famosa companhia russa de balé clássico, com cenário montado num antigo ginásio de esporte. Soube por uma amiga que, também na semana passada, aconteceu por aqui, com grande sucesso, um simpósio de epidemiologia, com de mais de dois mil participantes, vindos de todos os cantos do país. Ela comentou, satisfeita, que os visitantes adoraram Vitória. Isso me fez lembrar de Carmélia entrando na varanda do Britz Bar, saudando os amigos com o seu conhecido grito de guerra: “Viva o Simpósio!!!”.

Vitória 17 de setembro de 2014

Alvaro Abreu

Escrita para A GAZETA

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