Seria bem melhor

Seria bem melhor

Vitória é ilha de poucas praias. Poucas e pequenas, pra ser exato. Não fosse Camburí, que fica lá no continente, a cidade contaria com pouquíssimos metros de areia para o pessoal se esbaldar sob o sol quente e se refrescar em águas protegidas. Ilha de formação rochosa situada dentro de um estuário, as suas áreas à beira d´água eram quase todas ocupadas por manguezais. Bem diferente da ilha de Florianópolis, em mar aberto, com quilômetros de areias brancas e águas cristalinas.

As praias originais da nossa ilha são contadas nos dedos. Tirando uma ou outra, lá nos fundos da baia, todas elas eram viradas para o leste: a praia do Suá, onde hoje estão as peixarias; a de Santa Helena, onde está a praça do pedágio; a do Barracão, onde está o edifício Paulo VI e, por fim, a Praia do Canto, que começava no McDonald’s e terminava no pé da ladeira do colégio das freiras. Imagino que essas duas últimas eram uma só, até que se construiu um paredão de pedras, de uns novecentos metros de extensão, para suportar a Avenida Saturnino de Brito e embelezar o lugar. Nas suas calçadas, foram plantadas sessenta e duas castanheiras que sombrearam as pescarias e os passeios de muita gente. Hoje elas marcam o contorno da orla antiga.

No início dos anos setenta, aquele cenário foi radicalmente alterado por um grande aterro, fazendo surgir duas praias entre o Iate Club e a Ilha do Boi que, anexada à ilha maior, ganhou caminho para as duas nela existentes. Uma ponte viabilizou o acesso às quatro praias da Ilha do Frade. O aterro fez surgir ainda outras três, viradas para o canal: embaixo da Terceira Ponte, na Praça do Papa e outra, atrás do Shopping, que tem sido frequentada por Fred, um pacato elefante marinho. E é só.

Lugar de lazer gratuito e democrático, as praias são usadas o dia inteiro no verão. No começo da manhã, pelas famílias e crianças pequenas, depois por farofeiros de todos os quilates e pela moçada saudável e procurante. Seria um programa perfeito se a água do mar estivesse sempre limpa, própria ao mergulho restaurador.

Vitória, 11 de janeiro de 2016

Alvaro Abreu

Escrita para A GAZETA

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