No segundo turno

No segundo turno

Os resultados da pesquisa do IBOPE sobre as intenções de votos no segundo turno da corrida presidencial estão aí para quem quiser ver e meditar sobre o que representam. Os números são acachapantes. Variações de uns tantos pontos percentuais a favor ou contra um dos candidatos não alteram o cenário. A escolha do próximo presidente está com jeito de fato consumado. Isso, naturalmente, sempre que mantidas as atuais condições de temperatura e pressão e, sobretudo, se livre de fatos relevantes e explosivos, de forte impacto emocional, inclusive facadas e tiroteios. Os números da pesquisa nos colocam, a todos, e com boa antecedência, diante de uma realidade até bem pouco tempo inimaginável, sobretudo para os que idealizaram as estratégias e o plano de voo do PT, incluindo a escolha do opositor.

Uma generalizada insatisfação, até então recolhida, transformou-se em efetiva reprovação popular nesta eleição. Chega ao fim um estado de impotência que foi se instalando paulatinamente na alma de muita gente. As armações, as bandalheiras e os desgovernos foram tantos que produziram decepção e desengano com muitos personagens, lideranças e partidos políticos. No segundo turno, o basta ao que está aí fica patente na rejeição crescente a Haddad, captada na pesquisa e declarada por quase a metade dos eleitores entrevistados. Também ele paga o preço por ser mais um representante de tudo o que a maioria da população brasileira está considerando inaceitável.

Imagino que Haddad já tenha entendido que a vaca foi pro brejo e que por lá ficará por um bom tempo. A expressão de cansaço e a falta de brilho nos seus olhos demonstram quebra nas convicções e perda de potência, indispensáveis para sustentar um derradeiro esforço coletivo, na tentativa de reverter as previsões e certezas. Uma sequência de tropeços e de insucessos nas buscas por apoios relevantes deve estar gerando desconfortos e sensação de abandono. É bem provável que o desânimo se instale nos comitês de campanha, trazendo junto melancolia e algum arrependimento tardio.

Vitória, 17 de outubro de 2018

Alvaro Abreu

Escrita para A GAZETA

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