Na paulicéia

Na Paulicéia (Não foi publicada na sexta 17.06 – entrou texto de PH)

Estive em São Paulo por uns bons cinco dias, incluindo o final de semana. Desta vez, com a mesma sensação que meus ancestrais deviam ficar quando saiam da Fazenda do Frade para ir, a cavalo, a Cachoeiro, distante umas tantas léguas. Imagino que as viagens, preparadas com alguma antecedência e sob muitas expectativas, eram vitais para reencontrar amigos e parentes da cidade, fazer compras, dançar em festa animada e, quem sabe, começar um namoro promissor. O motivo principal da minha viagem era tirar visto para entrar nos Estados Unidos, boa desculpa para rever o pedaço da família que vive por lá. Por opção, ficaria longe da internet, noticiários de TV e dos jornais.

Resolvida a obrigação, foi a vez de bater perna no comércio, algo que quase não pratico por aqui. Como acompanhante, entrei em lojas pequenas. Por conta própria, entrei em dois shoppings em busca de um bom paletó e em lojas no Centro, à procura de chapéu panamá. Aproveitei para fazer turismo barato: comer sanduiche de churrasco grego em pé na calçada, atravessar o Viaduto do Chá repleto de camelôs e comprar uma luminária de papel na Liberdade.

Sempre gostei de conversar com motoristas de taxi. Desta vez, entrevistei motoristas do Uber, para entender melhor suas motivações pessoais e as condições de operação do sistema. Pelo que pude ver, muitos deles estão dirigindo pelas ruas da cidade como solução para a perda do emprego, para aproveitar o carro da família na geração de renda e, também, para se livrar de patrões e de donos de frota de taxi. Simpáticos e donos de si, sabem que participam de algo inovador, que veio para ficar. Trata-se de novo modelo de negócio que lança mão de tecnologias disponíveis e de refinado bom senso para atender demandas e propiciar bons resultados para seus operadores e clientes. Tudo isso sem envolver a mão pesada do poder público que concede as placas e direitos correlatos. No avião, na volta, li no jornal que o sistema começa a disponibilizar o uso de helicópteros em condições acessíveis.

Vitória, 15 de junho de 2016

Alvaro Abreu

Escrita para A GAZETA

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