Mais camas no PDU?
Vitória está finalizando mais uma edição do PDU – Plano Diretor Urbano, que regulará a ocupação do seu território e as atividades que poderão ser realizadas em cada um de seus bairros e terrenos, de suas ruas e avenidas. Elaborar um PDU é tarefa que exige esforço e contribuição de muita gente e que deve ser presidida, obrigatoriamente, pelo compromisso de tentar equacionar demandas em favor do bem comum. Atuais e, sobretudo, futuras. Todas as cidades devem ser pensadas como lugar bom para os seus habitantes e para quem as frequente para trabalhar, estudar e se divertir e, de quebra, para os que passem por ela.
Aqui em Vitória, praticamente tudo o que é consumido e utilizado vem de fora: combustíveis, alimentos, pregos, energia elétrica, móveis, água potável, lâmpadas, automóveis, internet, barbante e tudo o mais. E como nada vem pra cá de graça, isso consome reservas e reduz a capacidade de investir. O que é mais grave ainda: o município não tem sido capaz de gerar produtos e serviços que possam ser “exportados”, para o resto do país e para o exterior. Isso impede a vinda de dinheiros novos que ajudem a movimentar sua economia e a equilibrar o balanço de pagamento com o mundo.
Essas questões ganham relevância porque restam pouquíssimas áreas livres de boas dimensões, passíveis de serem ocupadas de forma estratégica para o desenvolvimento município. Tenho um xodó especial por duas delas: a que está destinada ao Parque Tecnológico, em Goiabeiras, e aquela situada entre o Shopping Vitória e o mar. Consta que conseguiram introduzir na minuta do novo PDU autorização expressa para que se possa construir, nas duas áreas, milhares de quartos e suítes. Aí, fico me perguntando se não seria mais inteligente se a cidade continuasse reservando a primeira área para sediar empresas inovadoras, que geram emprego, renda e impostos e, a outra, para abrigar novas instalações de uso coletivo e ambientes próprios ao lazer, ao ócio e à contemplação, tornando a cidade ainda mais agradável aos seus habitantes e mais atraente aos turistas.
Vitória, 30 de novembro de 2016
Alvaro Abreu
Escrita para A GAZETA
