Emoções da quinzena
Esses meus últimos dias foram cheios de emoções. Adorei rever antigos frequentadores da Praia do Canto no encontro anual na Curva da Jurema e senti a morte de Marcos Murad, personagem relevante dos tempos de Praia Tênis Club. Vibrei com Claudinho Tovar, amigo daquela época, recebendo homenagem na abertura do Festival de Cinema de Vitória, e assisti o depoimento comovente de uma mulher que se despediu do Rio Doce e do mar de Regência, em documentário sobre a tragédia provocada pela SAMARCO.
Tentei fazer, pela primeira vez, duas colheres iguais, para dar de presente a um ex-aluno de 1972 e a um primo que eu não via há 50 anos, durante conversa amistosa sobre nossas vidas e especulações sobre o futuro que nos aguarda. Revi, satisfeito, casal querido e vibrante que, há mais de 30 anos, come raspa de casca de limão orgânico no café da manhã para manter a saúde perfeita. Recebi com alegria mensagem entusiasmada de amigo paulista se dizendo livre das 150 mg de ciclosporina que tomou durante 8 anos e que estavam lhe causando problemas, inclusive tremedeiras.
Conheci a amplitude deslumbrante do hipódromo do Rio, torci por cavalos que escolhi pelo jeitão na pista e observei tipos de aficionados do turfe. Caminhei em volta do Museu do Amanhã, visitei a exposição impecável de 10 pintores modernistas na Casa Roberto Marinho e assisti atônito, pela TV, a agonia do Museu Nacional. Passei boa parte de uma manhã às voltas com quadros, fotografias, desenhos e escritos deixados por mamãe, verdadeiros testemunhos de sua existência.
Ouvi no rádio do carro, com irritação, notícia de aumento da gasolina, justificado pela alta especulativa do dólar. Acompanhei, surpreso, o voto solitário do Ministro Fachin defendendo a eficácia de documento assinado por dois consultores da ONU em favor de candidatura proibida por lei brasileira. Constatei a convicção de onze entre treze motoristas de táxi do Rio de Janeiro de votar em candidato falastrão, o que me fez pensar, com inquietação, nos rumos da eleição para presidente deste nosso país.
Vitória, 05 de setembro de 2018
Alvaro Abreu
Escrita para A GAZETA
