Agora vai!

Agora vai!

O pó preto tem frequentado minhas crônicas com boa insistência. Tenho reclamado dos incômodos que provoca e mostrado que ele expressa grande desrespeito aos que vivem aqui. Por total descrença na disposição dos dirigentes municipais, estaduais e federais, assim como da nossa justiça, em equacionar o assunto, já cheguei a pedir ajuda a Papai Noel para tentar acabar com a sujeira diária. O mundo dá voltas e a saturação produz reações. A roubalheira na Petrobras e a tragédia provocada pela SAMARCO em Mariana ajudaram a engrossar reações convictas da população capixaba contra a liberdade da VALE em continuar lançando grandes quantidades de pó preto sobre a Grande Vitória.

Por isso mesmo, confesso que os últimos acontecimentos me animaram. Como muita gente, estou batendo palmas para o juiz federal Marcus Vinícius Costa, espécie de Sérgio Moro capixaba, que determinou a interrupção das atividades na Ponta do Tubarão por crime ambiental federal. Acompanho com atenção os desdobramentos na Justiça Federal no Rio de Janeiro, onde o juiz Vigdor Teitel, nome de super-herói, estabeleceu prazo de 60 dias para que a VALE apresente proposta para sanar de vez o problema. Li que a empresa contratou uma banca de advocacia caríssima, formada por mais de noventa advogados e uns tantos especialistas, para tentar reverter a decisão da justiça que tanto nos interessa. Dinheirão jogado fora.

O fato promissor é que a tolerância de muita gente séria acabou e isso faz a coisa ganhar outro rumo. A nota oficial que a empresa fez publicar neste jornal sobre o assunto afronta a inteligência e o bom senso de pessoas tolerantes e experientes como eu. Daqui pra frente, não restará à VALE alternativa que não seja a de encapsular seus pátios de minério e suas correias transportadoras, como é feito nos lugares onde a população não admite ser tratada como sendo de quinta categoria. Além de sujar, a VALE não paga as multas que recebe e, segundo a Receita Federal, é a maior devedora de impostos do país. Deve algo como R$ 42 bilhões.

Vitória, 27 de janeiro de 2016.

Alvaro Abreu

Escrita para A GAZETA.

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