Tombo de menino

Tombo de menino

Antigamente, queda de menino era assunto corrente das conversas de vizinhas, no portão. Pois, recentemente, foi pauta relevante de amigas de Carol, via internet.

O tombo aconteceu num dia de casa cheia de filhos de parentes e amigos que, barulhentos e agitados, brincavam de pique-esconde, aproveitando todos os espaços das varandas e do quintal.

– Minhas queridas, hoje passamos por um grande susto: o afilhado de Diana e Nélio, de 8 anos, subiu na goiabeira pra se esconder e caiu do galho. Abriu o queixo no concreto do canteiro. Salvou todos os dentes, mas abriu um talho feio.

– Nossa, Carol, que susto! Essa região sangra muito. Ainda bem que não perdeu dentes!

– Pois é, os padrinhos, mesmo desolados com o acidente, foram rápidos no socorro. Foi atendido numa boa emergência pediátrica. Pontos internos e externos. Não conseguimos saber quantos.

– A mensagem da mãe dele ajudou muito a nos consolar: ‘Não têm que se desculpar. Isso acontece e vocês são maravilhosos. Acalme o coração de todos, porque sei que fica o susto. Ele está bem, ganhou história pra contar e perdeu o título de menino de apartamento. E simmmm, podem repetir o convite. Ele está só esperando a próxima oportunidade. ”

– Que graça!

– Super gentis!

– Uma queda bem perigosa, né?

– Meu irmão caiu de um flamboyant quando era pequeno e, felizmente, não aconteceu nada grave, mas bateu a cabeça no chão e fez um som que me lembro até hoje. A criançada ficou em choque.

– Nossa, Carol, que susto!

– Que graça e que tranquilidade da mãe em encarar o fato.

– Muita confiança nos padrinhos.

– Que bom que preservou os dentes. Férias inesquecíveis!

– Nosso Tom Tom, de 6 anos, que viu a queda, chorou convulsivamente. Yarinha, de 2, também.

– O moleque foi avisado pra não subir porque nunca tinha feito isso, mas quem segura? Uma piscada, uma queda!

– Os pais certamente têm uma grande amizade pelos compadres e uma vivência de infância que os torna mais compreensivos. Enfim, o anjo da guarda trabalhou direitinho.

– Confiança me parece ser o sentimento mais forte, no caso.

– Acho que vai virar crônica!

– Também acho, querida.

– Imagino o susto. Fico feliz em saber que está tudo bem.

– Carol, lembrei de um primo do Rio, que era hiper agitado, e chegava na minha casa já se machucando. Abriu a porta do carro, correu pra pegar a bicicleta, caiu e abriu um corte grande na panturrilha. Pronto socorro na hora.

– Infância livre produz muitas histórias desse tipo. Álvaro lembrou de Rafael chegando em casa coberto de barro e sangue depois de derrapar na pista de bicicross lá em Brasília.

– Enfim, são todos sobreviventes!

– Meu filho se ralou todo nas pedras das Andorinhas, ao lado da Ilha do Frade, depois de me desobedecer e ir pular daquele pedrão. Quase me mata de susto. Tem cicatrizes no peito, no abdômen e no joelho, onde abriu um talho e levou uma cerzida. Haja coração!

– Meu irmão caiu de bicicleta numa ladeira e ficou uma semana na cama todo ralado. – – Ninguém usava capacete.

– O meu, era terrível. Se arrebentava todo. Até cair em fogueira de São João, ele conseguiu!

– Tenho pouca história de machucados, mas quando acontecia, passava um merthiolate e voltava pra brincadeira.

– Li as nossas mensagens pra Álvaro e ele disse que a crônica tá pronta, rsrsrs. Pediu nossos textos…

– Autorizado!

– Nosso papo, até agora, vai dar umas 3 crônicas. Kkkk!

– Que dia movimentado, Carol !!!!

– Adorei os pais do moleque e estou doida pra ler a crônica.

Vitória, 12 de janeiro de 2024

Alvaro Abreu

Escrita para A GAZETA

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