Tá doendo
Tem bem uns 15 dias que estou às voltas com uma baita herpes zoster, dessas pra ninguém botar defeito nem dizer que teve uma mais grave do que a minha. Não sei se existe algum tipo de concurso ou competição relacionada a essa ziquizira, mas posso garantir que a minha experiência tem sido extremamente desagradável, mobilizando praticamente todas as minhas atenções e paciências. Tem sido praticamente impossível pensar em outra coisa que não seja nos incômodos, ardências e dores instaladas no entorno das costelas do lado direito do corpo. Não quero fazer drama e muito menos me vangloriar por estar conseguindo conviver silenciosamente com essa doença que, pelo que fui sabendo aos poucos, abate os mais parrudos e simpáticos cidadãos e as mais aguerridas e charmosas cidadãs. Soube, por fontes credenciadas, que ela é provocada pela reativação do vírus da catapora e que ocorre quando uma doença ou medicamento enfraquece o sistema imunológico. Também ouvi dizer que a falta de tranquilidade e de sorriso farto pode ajudar a deslanchar o processo e que já existe vacina.
O fato é que, se o ambiente geral piorou bastante com a lamentável decisão do STF de acabar com a prisão da bandidagem graúda, sob aplausos dos escritórios de advocacia de primeira linha, as dores diminuíram ainda mais a vontade de acompanhar o noticiário. Mesmo assim, assisti, apenas de relance, cenas da soltura mais defendida de todas, acontecida em clima de um revival xoxo. Na sequência, tenho tomado conhecimento das libertações de condenados prepotentes, operadores profissionais e mutreteiros comprovados. Imagino que essas notícias devem estar abastecendo a insatisfação de muita gente, fazendo prever desdobramentos políticos não devidamente avaliados pelos ministros que votaram a favor dos processos penais intermináveis. As confusões no Chile e na Bolívia surpreenderam muita gente e podem estimular movimentações populares por aqui também. Melhor se o Congresso atuasse com presteza para sanar tais distorções, garantidas pela legislação vigente. Enquanto isso, torço para minha doença sarar logo.
Vitória, 14 de novembro de 2019
Alvaro Abreu
Escrita para A GAZETA
