Sobre uma cidade que já foi presépio

Sobre uma cidade que já foi presépio

8 de Setembro, dia de Vitória, é data de festejar as coisas boas que a cidade oferece para quem transita por suas avenidas, ruas, calçadas e escadarias, frequenta suas casas e seus edifícios, a cada dia mais altos, se vale de seus hospitais, clínicas e postos de saúde para garantir forças, belezas e sorrisos; para quem faz compras em lojas, supermercados, mercados, peixarias e biroscas, utiliza seus restaurantes por praticidade e diversão, frequenta seus bares, pra beber umas geladas e conversar com amigos; para quem se vale de creches, escolas, faculdades e pós-graduações de qualidades reconhecidas; os que, por exercício ou prazer, saem pedalando bicicletas próprias ou alugadas por ciclovias de quilômetros, frequentam as academias de cada quarteirão, preferem caminhar nas suas alçadas com passadas cuidadosas, correr em marcha leve, ou em velocidade atlética, quase sempre atento e convicto; para quem se distrai em praças, parques e praias bem cuidadas; para os que gostam de estar em contato direto com o mar, nadando, pescando, mergulhando, velejando, remando e os que também gostam de ficar vendo a lua nascer no leste e de contemplar navios passando, imponentes.

Tenho visto na imprensa que Vitória vem se destacando como uma das melhores cidades do país para investir, empreender, trabalhar e viver. Na semana passada, li que ela é a terceira na lista das cidades mais bem varridas do país, o que me leva a pedir uma salva de palmas aos nossos garis de todos os dias, estendida ao pessoal que cuida dos jardins, da limpeza das praias e demais prestadores de serviços urbanos.

Se isso não bastasse, além da inauguração do aquaviário que facilitará a vida de muita gente e reforçará o turismo, vale incluir nas comemorações dois de fatos relevantes para os que detestam ver o dinheiro público sendo consumido pelo descaso de autoridades: a recuperação dos armazéns do Porto de Vitória e a retomada das obras do Cais das Artes.

Nutro a expectativa de ver o Centro da cidade revigorado e palpitante, livre das expressões de decadência e abandono, de lugar inservível e perigoso. Pelo que soube, alguns dos galpões, cujas fachadas compõem uma cena urbana deprimente, serão ocupados com instalações de lazer e cultura, dotados de fácil acesso e estacionamento.

Como as inaugurações do museu e do teatro devem demorar uns dois anos, seria interessante utilizar as áreas externas já cobertas e os terrenos livres de seus entornos para realizar eventos variados. Seria uma maneira de tentar incorporar, progressivamente, aquele endereço como um trunfo a mais da cidade. Ajudaria a reverter a sensação de inutilidade agressiva daqueles caixotes de concreto, que martela na cabeça de muita gente.

Vitória, 07 de setembro de 2023

Alvaro Abreu

Escrita para A GAZETA

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