Haja emoção
Passei um bom tempo longe do teclado para compor uma crônica. A última foi publicada aqui às vésperas do primeiro turno das eleições, semanas antes do meu aniversário. Nela, sem muita esperança, pedi, de presente antecipado, a vitória dos meus candidatos. De lá pra cá, muita coisa aconteceu.
O final de 2022 e começo deste ano foram tempos de fortes emoções, a começar pelas festas de lançamento do livro que escrevi sobre a produção prazerosa de colheres de bambu. Em Cachoeiro, num bar na beira do rio Itapemirim, foi ótimo rever conterrâneos de infância e companheiros de realizações relevantes. Em São Paulo, naquele varandão do Museu da Casa Brasileira, abracei e fui beijado por amigos queridos e por muitos convidados dos filhos que moram lá. Aqui, num restaurante da Curva da Jurema, não senti cansaço ao passar 5 horas dando autógrafos para muitas das 350 pessoas que lá estiveram. Em Brasília, em ritmo de confraternização, revi velhos amigos dos anos que trabalhei no CNPq.
Com o coração nas mãos, acompanhei a apuração da disputa apertadíssima pela presidência da República e tomei duas cachaças em comemoração. Depois, temeroso, acompanhei as movimentações descaradas de forças insatisfeitas com os resultados do segundo turno das eleições.
A festa de comemoração dos nossos 50 anos de casados, em meados de dezembro, foi animadíssima e varou a madrugada e, de quebra, marcou a reabertura da famosa colônia de férias da Vovó Carol, para mais de mês de casa movimentadíssima e cozinha a pleno vapor. Num período chuvoso, foi uma maratona de muitas alegrias e alguns perrengues com a participação direta de cinco filhos, uma nora, dois genros e oito netos. Pena que a goiabeira não deu um fruto sequer, impossibilitando a realização do famoso campeonato infantil de tira-goiabas.
Senti alguma esperança ao ver imagens das cerimônias de posse dos eleitos e de pessoas nomeadas. Com tristeza, acompanhei pela TV a demonstração de desatino de um bando de bolsonaristas imbecis e mal intencionados, marcando o dia 8 de janeiro de 2023 na história. Indignado, comecei a torcer por um tranco bem dado, com sabedoria e efetividade, nos executores, mentores e patrocinadores daquele absurdo. Com satisfação, venho acompanhando as tais providências cabíveis, acreditando que podem surtir efeito.
Na quarta-feira, também pela TV, acompanhei as eleições nas duas casas do Congresso. Na do Senado, confesso, só senti alívio pra lá da metade da apuração. Na da Câmara dos Deputados, a vitória esmagadora de Lira me fez pensar que, obstinado por poder, ele fará tudo pra ficar com os méritos de ter conseguido aprovar reformas relevantes.
Vitória, 02 de fevereiro de 2023
Alvaro Abreu
Escrita para A GAZETA
