Coisas de Março

Coisas de Março

Nestes tempos em que as pessoas estão cada vez mais envolvidas por tramas e arapucas da vida agitada em cidades que crescem sem parar, muitas coisas vão perdendo o sentido e a relevância que tinham quando o ritmo dos acontecimentos e o modo de se relacionar com as pessoas e os lugares eram outros. Percebo que muita gente já não se dá conta de que março é um mês especial.

Além do calor intenso, que este ano tem sido sufocante, março, ao lado de setembro, é tempo das maiores flutuações das marés no ano. O jornal de hoje, dia 20, informa, no pé de página, que os eventos de preamar, a popular maré cheia, acontecerão, com a certeza, às 02:54h e às 14:56h, atingindo as marcas de 1,6m e 1,7m, respectivamente. Isso no Porto de Vitória, porque no Porto de Tubarão o mar atingirá a sua altura máxima exatos 3 minutos antes, por estar situado algumas milhas a leste, de onde vêm e pra onde voltam as águas oceânicas. As marés baixas de março também são radicais: a menor de hoje atingirá a marca negativa de – 0,1m às 21:37h, lá no Centro da cidade.

É bom lembrar que março tem também a capacidade de alegrar pescadores de beré, em especial os que se divertem pescando carapaus, peixinhos valentes que só, que nadam em cardumes por aqui, religiosamente. A pescaria é feita nas águas entre o Iate Club e a Ilha do Frade e do entorno das Andorinhas, a bordo de botes de madeira e barcos de alumínio. Varinha flexível e camarão descascado são requisitos básicos. Trata-se de atividade que exige perícia, concentração e, mais do que tudo, capacidade de aceitar gozação. É que, em um mesmo barco, é comum acontecer que um dos pescadores passe a tarde inteira sem fisgar um único carapau, para o deleite dos colegas bem-sucedidos.

Tudo isso acontece por influência direta da lua cheia, que nestes dias estará brilhando no céu para quem tiver curiosidade e tempo de contemplar. A depender do estado de alma, a pessoa poderá ter, nem que seja por alguns instantes, uma agradável sensação de estar vivo e em perfeitas condições para a prática de boas emoções.

Vitória, 20 de março de 2019

Alvaro Abreu

Escrita para A GAZETA

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