Manifesto

Manifesto

Um grande amigo meu está com a incumbência de redigir um manifesto à nação, uma espécie de convocação aos brasileiros que estejam dispostos a tentar reverter a descrença e a desesperança que se instalou na alma de muita gente. A demanda partiu de alguns de seus companheiros de luta política em épocas remotas, hoje amigos fraternos que vivem em lugares diferentes. Pelo que sei, são pessoas com idade avançada, dessas que não mais acreditam em política movida a slogans e palavras de ordem e que não escondem suas desilusões com líderes políticos conhecidos. Não são muitas, mas soube que elas estão inteiramente convencidas de que é absolutamente indispensável, obrigatório mesmo, deixar de lado as tristezas e a sensação de impotência e, com a convicção própria aos sonhadores, partir para o ataque. Todas elas se sentem no direito de voltar a imaginar um futuro mais promissor para o país.

Sempre troquei ideias com esse meu amigo sobre a conjuntura política, nem sempre com visões convergentes sobre causas e responsabilidades, mas concordando que a sociedade brasileira se encontra em situação bastante delicada sob muitos aspectos. Nos últimos tempos, vínhamos tentando, sem qualquer sucesso, imaginar rotas de saída para o enorme imbróglio em que nos metemos, que se agrava a cada notícia. Não conheço ninguém que esteja feliz com a roubalheira infernal e a safadeza diversificada que tomam ares de normalidade e, muito menos, quem esteja se sentindo inteiramente livre da crescente sensação de insegurança. Preocupa-me saber que tem quem acredite que vai surgir um salvador da pátria para resolver todos os perrengues.

Entendo dificílima essa tarefa de escrever algo capaz de sensibilizar pessoas dos mais diferentes segmentos da população brasileira, cada qual movido por suas próprias dores e expectativas. Talvez por isso mesmo, tenho tentado listar palavras mágicas e ideias-força que poderiam estar presentes em manifestos aos brasileiros, um generoso e desafiador exercício de cidadania em tempos adversos.

Vitória, 05 de setembro de 2017

Alvaro Abreu

Escrita para A GAZETA

Pernas de pau

Pernas de pau

Nem bem acabou de me dar um abraço apertado e um beijo de bom dia, Manu, a neta mais velha e xodó de muita gente, me pediu para fazer uma perna de pau pra ela. Seria meu presente de seu décimo aniversário, lá em novembro. Ela não me deu qualquer pista  sobre suas motivações em querer brinquedo tão antigo e fora de moda. Da minha parte, devo dizer que fiquei muito lisonjeado com aquela demanda. Na sua carinha, uma expressão de plena confiança de que o avô atenderia prontamente o seu pedido.

Experiente no trato com madeira, achei que poderia dar conta do recado sem ao menos precisar sair de casa para comprar material. Lembrei-me das ripas de pinho clarinho de boas dimensões, compradas faz tempo, guardadas lá no puxadinho. Além disso, seria uma boa oportunidade para usar os pregos que trouxe dos EUA e experimentar a cola de madeira que se anuncia forte como um gorila. Serrote, martelo, esquadro, riscador, grosa e lixas são coisas que não faltam no meu armário de ferramentas e bagulhos em geral.

Enquanto apanhava o que iria usar e tirava o pó preto da minha bancada fui idealizando o projeto. Consultei a neta para melhor definir o tamanho das pernas e a altura da plataforma para colocar os pés, sustentada por pequenos triângulos de madeira. Depois foi só marcar e serrar as ripas com precisão, tirar todas as quinas vivas com a grosa e lixar tudo sem pressa. Por saber que é observando e ajudando que se aprende a fazer muita coisa, pedi a Theo, o irmão dela, que firmasse as ripas enquanto eu passava cola nas peças, batia os pregos e afinava os cabos para facilitar a pega por mãos pequenas. Precavido, para evitar escorregões, tratei de colocar sola de borracha nas extremidades de baixo.

Os primeiros passos de Manu com as pernas de pau foram inseguros e desajeitados, mas o aprendizado foi rapidíssimo: em pouco tempo a menina já estava andando de um lado para o outro, subindo e descendo degraus sem titubear. Vi que ela adorou poder ficar conversando com a avó sem precisar olhar pra cima. E se achando, naturalmente.

Vitória, 23 de agosto de 2017

Alvaro Abreu

Escrita para A GAZETA

No olho do juiz

No olho do juiz

Ontem, ao entrar no carro para voltar pra casa, pouco depois de sair do dentista com a indicação de seguir adiante na avaliação das reais condições de um dos meus dentes, ouvi pelo rádio uma notícia de desanimar qualquer cidadão brasileiro de boa fé, sobretudo aqueles que são otimistas por natureza, sejam eles banguelas, usuários de dentadura, proprietários de dentes implantados ou portadores de dentes perfeitos. Foram poucas as palavras do locutor, mas o suficiente para acabar de vez com o que restava do meu sorriso prejudicado pelo efeito da anestesia.

Um juiz federal da comarca de Ponte Nova, em Minas Gerais, suspendeu a ação movida contra a Samarco e mais 22 pessoas acusadas por terem provocado a tragédia de Mariana, há quase dois anos. Esse senhor deve ser daqueles magistrados que não se dobram diante dos poderosos nem se afastam um milímetro sequer das letras dos parágrafos e eventuais incisos das normas brasileiras que foram aprovadas para assegurar o império da lei, doa a quem doer, inclusive aos parentes dos que morrem por decisões gananciosas e prepotentes.

Bem posso imaginar a alegria dos advogados que defendem as empresas e seus dirigentes, todos executivos e membros de conselhos, responsáveis por decisões tecnicamente erradas e humanamente irresponsáveis. Profissionais competentes, altamente perspicazes e muito bem pagos, eles  devem estar exultantes por terem conseguido identificar uma eventual falha de natureza processual de dimensões micrométricas e, com isso, em nome do direito de defesa de seus clientes, demandar a anulação do processo inteiro. Pelo que soube até agora, as razões alegadas são ridículas frente às consequências do vazamento de rejeitos industriais que provocou a morte de 19 pessoas, desgraçou a vida de milhares de famílias e estragou um bom pedaço do país. Essa usual e malandra estratégia de defesa me fez lembrar do que escreveu meu tio Newton, criatura de alma finíssima que esta semana ganha homenagens lá em Cachoeiro: “um cisco no olho pode ocultar uma montanha. ”

Vitória 09.08.2017

Alvaro Abreu

Escrita para A GAZETA

Bem de longe

Bem de longe

Cá estou eu novamente na casa do meu filho mais velho, que veio passar uns tempos nos USA com sua família, a exemplo do que tem acontecido com muita gente nesses últimos anos. Em épocas passadas, a vontade de morar no estrangeiro era coisa de uns poucos. Papai mesmo levou a mulher grávida e os quatro filhos para passar dois anos fora, em 1955. Ele fora contratado pela ONU para assessorar o governo da Bolívia na área de saúde pública, especialidade em que era tido como um bam bam bam. Em função de suas dificuldades para enfrentar o ar rarefeito de La Paz, foi transferido para Bogotá. Guardo boas lembranças dos colégios, das praças e, sobretudo, dos passeios.

Avô prevenido, desta vez eu trouxe um pedaço de bambu escuro e resistente, de uns sessenta centímetros, para fazer mais um arco de flecha para o neto que se acha um poderoso guerreiro e cresce a olhos vistos. O que fiz da vez passada, com um bambu fininho comprado aqui, não resistiu ao uso intenso, conforme previsto. Soube que a decepção do moleque foi grande e duradoura, dessas coisas que faz avô passar vergonha e ficar matutando uma solução para remediar tamanha desfeita. Neste caso, só mesmo fazendo um outro bem bonito, com o menino em volta, acompanhando o serviço, acumulando expectativas.

Ontem passei horas ensinando a neta canhota a raspar bambu em busca de curvas simpáticas, retas perfeitas e superfícies lisinhas. Atenta e habilidosa, ela ajudou a finalizar a colher comprida que eu estava fazendo pra ela, dando pinta de que vai seguir praticando o ofício. Hoje, vamos sair para comprar uma vara de molinete, linha fina, anzóis miúdos e chumbadas pequenas. Em casa, ensinarei os segredos de como fazer cabrestos, prender anzóis e tudo o mais. Depois, haveremos de descobrir onde comprar isca, pois já sabemos onde tem um bom lugar para pescar: um píer de madeira de uns duzentos metros mar a dentro. Para completar a informação turística, devo dizer que, por simples prudência, estou sem saber do que acontece no Brasil desde o dia 22, quando entrei no avião.

Bradenton, 28 de junho de 2017

Alvaro Abreu

Escrita para A GAZETA

Fim da embromação

Fim da embromação

O imbróglio das obras da BR101 não sai do noticiário. Ainda bem. Quanto mais se pergunta e se conhece os fatos, mais se desvenda o tamanho do buraco. Hoje, o nível de conforto da concessionária e dos responsáveis pelo controle de suas obrigações contratuais já está bem perto do zero. Está criada uma indignação generalizada, sobretudo entre os que dependem da estrada para ir e vir, para salvar vidas, receber o que comprou, vender o que produziu. O governador quer conversar, a OAB resolveu se mexer, o MPF vai investigar, o diretor da ANTT vem ao Estado e tudo o mais.

Duplicar mais de 470km de estrada, com prazos e condicionantes previamente definidos, exige experiência empresarial específica, recursos volumosos e uma complexa engenharia financeira, fundamentada em informações confiáveis sobre a viabilidade de sua realização. Entram nessa conta os números dos investimentos com: estudos e projetos, desapropriações, execução de todas as obras previstas, bem como os das despesas com manutenção e operação da estrada ao longo do tempo. Do outro lado, estarão as previsões de receitas com pedágios e multas durante o período da concessão e as estimativas de valores para retornar os recursos investidos pela própria empresa, pagar os seguros contra riscos e perdas, amortizar os empréstimos contratados e assegurar uma margem justa de lucratividade. Por precaução, já não convém incluir investimentos em campanhas eleitorais e propinas em geral. A falta de projetos básicos de engenharia torna essas contas imprecisas e perigosas, exigindo revisões constantes e fiscalizações sistemáticas.

A tomar como verdadeiras as declarações do diretor as ECO101 e corretos os números publicados no jornal, as minguadas obras em curso estão sendo bancadas praticamente com a receita do pedágio. Se isso procede, sugiro que suspendam imediatamente o contrato, por embromação empresarial ou outra razão juridicamente razoável. No rumo em que está, a duplicação não tem futuro colorido. Definitivamente, a concessão merece um bom freio de arrumação.

Vitória, 26 julho de 2017

Alvaro Abreu

Escrita para A GAZETA

Embromação

Embromação

Embromação é uma palavra quase que fora de uso, mas foi a que me veio à cabeça ao buscar uma palavra chave para a crônica que resolvi escrever sobre a novela da duplicação da BR101, motivado por mais uma matéria publicada recentemente neste jornal. Antes de seguir em frente, por curiosidade, fui ao dicionário buscar seus sinônimos e encontrei muitos, incluindo: tapeação, mentira, trapaça, enganação, engodo, treta, tramoia, manobra, burla, embuste e engabelação. Cada um deles ganhou validade diante do tamanho do atraso das obras de duplicação e, sobretudo, das argumentações apresentadas oficialmente pelo diretor da ECO101, a empresa concessionária, em reunião na Câmara dos Deputados, em Brasília.

Li que o contrato de concessão estabelece que cento e vinte quilômetros deverão estar duplicados até 2019, porém, passados quatro anos da sua assinatura, somente uns trinta deles estão em obras e nem um foi concluído. Quando se usa a estrada, o que se vê são apenas praças de pedágio, agora com cabines blindadas contra assalto, pontuais melhorias em acostamento, sinalização, muitos controladores de velocidade, alguns aterros, poucos morros sendo cortados, pouquíssimas máquinas em operação. Entre as justificativas do atraso, o diretor incluiu dificuldades em obter licenciamento do IBAMA, problemas com ocupações irregulares às margens da rodovia e a diminuição do fluxo de veículos em função da crise e da concorrência exercida pela BR116, que corta Minas Gerais. De longe, fico imaginando a presteza e o empenho da concessionária em obter as devidas licenças ambientais e resolver as pendengas com donos de biroscas, de pequenos sítios com plantações de mandioca. Aqui, com toda certeza, a embromação calcada nas dificuldades burocráticas é que é a alma do negócio.

Não sei quantos milhões a ECO101 já arrecadou nem quantos já morreram na estrada. Sei que só eu, que pouco viajo, já gastei uns duzentos reais de pedágio e perdi horas de vida em fila indiana, atrás de caminhão, para não morrer na ultrapassagem.

Vitória, 12 de julho de 2017

Alvaro Abreu

Escrita para A GAZETA

Urgente, urgentíssimo

Urgente, urgentíssimo

Na semana passada, ao votarem pela não cassação da chapa Dilma -Temer, quatro brasileiros geraram dúvidas sobre a utilidade do TSE. Dias antes, o STF teve sua seriedade abalada ao permitir que Gilmar Mendes mandasse soltar bandidos famosos. O presidente da República insiste em se colocar na linha de tiro de todos nós com viagens em avião alheio, reuniões descabidas, amigos comprometedores, pedido indevido de investigação e muito mais. Em breve, dois terços dos deputados federais poderão sepultar de vez o que resta de legitimidade à Câmara caso decidam não autorizar processo contra Temer. Por conta desse desmantelamento institucional e da falta de perspectivas, vai se instalando no país uma descrença generalizada e perigosa.

Sei que a ingenuidade ajuda a criar coragem e que o otimismo faz pensar que quase tudo tem solução. Em conversas com amigos, venho defendendo a criação de um pequeno grupo de brasileiros decentes, sábios e independentes, com a incumbência de propor nova redação para os poucos capítulos da Constituição que regulam as eleições, os partidos, o funcionamento do Congresso e as penalidades por corrupção em geral. Entendo ser obrigatório reduzir drasticamente a influência do dinheiro vivo nos resultados eleitorais e nos processos legislativos, requisito elementar para garantir a pluralidade e a efetividade da representação política, bases da democracia.

A escolha desses brasileiros seria conduzida pela ministra Carmem Lúcia, que merece minha admiração. Aires Brito, ex-ministro do STF, é um homem em condição de presidir os trabalhos e de assegurar consistência jurídica e coesão ao conjunto das proposições. Apresentadas em campanha de grande alcance à população, em busca de adesão maciça, as propostas seriam encaminhadas ao Congresso para apreciação em regime de urgência urgentíssima e, em seguida, sancionadas por quem estiver ocupando a presidência da República. A pressa, mesmo sendo inimiga da perfeição, é indispensável para que as eleições gerais de 2018 possam ser realizadas sob novos marcos regulatórios.

Vitória, 14 de junho de 2017

Alvaro Abreu

Escrita para A GAZETA

Faltou um personagem

Faltou um personagem

No domingo fui assistir Real – O Plano Por Trás Da História, com a curiosidade de quem acompanhou bem de perto fatos ligados à criação do Plano Real. Na segunda, li comentários que explicam o cinema vazio. Como era esperado, o filme não inclui meu personagem preferido. Explico.

Tenho viva na memória uma conversa de varanda que tive com meu irmão Cláudio, engenheiro do BNDES, no Natal de 1992, sobre a economia brasileira. Para ele, a inflação estratosférica de então era de origem psicológica, gerada pelas incertezas dos mais fortes que, para se proteger, penalizavam os mais fracos que, por sua vez, agiam como fortes diante dos mais fracos do que eles. O governo era o fortão. Bem ao seu estilo, Cláudio falou que ia propor uma maneira de quebrar aquela corrente perversa.

Meses depois, durante uma reunião de dirigentes do banco com Betinho, que buscava apoio para seu programa contra a fome e pela vida, sua disposição cresceu. Tanto que, em julho, animadíssimo, me chamou ao Rio especialmente para conhecer seu trabalho: “Indexação Diária Negociada – contra o veneno da cobra, só mesmo o veneno da cobra”. Sugeri que diminuísse radicalmente a quantidade de páginas.

A versão resumida ficou pronta no final de agosto de 1993 e, na edição de 8 de setembro, a Tribuna da Imprensa publicou matéria sobre sua proposta. Dias antes, ele a enviara para Edmar Bacha, assessor de FHC, então ministro da fazenda, e para Pérsio Arida, recém-empossado presidente do BNDES. Junto com Pedro Malan, Gustavo Franco e outros economistas saídos da PUC-Rio eles formavam o grupo convocado pelo governo Itamar para tentar sanar a inflação. Sabe-se que receberam o trabalho e há comprovação de que usaram como argumento a sua metáfora sobre o veneno da cobra. Até hoje ninguém foi capaz de dizer que seus fundamentos foram incorporados ao Plano Real, anunciado quase um ano depois. Pudera, como admitir que um mero engenheiro pudesse pretender resolver graves questões da economia? Cláudio não entrou no filme, mas a sua versão da história está lá na internet.

Vitória, 31 de agosto de 2017

Alvaro Abreu

Escrita para A GAZETA

Procura-se um candidato

Procura-se um candidato

Acho que tem muita gente, como eu, vivendo um tempo sem perspectivas animadoras, sem pontos de referência para imaginar o futuro. Continuo com muita dificuldade em enxergar o que de bom possa estar vindo por aí. Tem dia que chego a ficar com uma certa inveja de quem já tenha escolhido em quem apostar suas expectativas na próxima disputa pela presidência do Brasil. Acreditar em alguma coisa traz esperança e deve fazer bem pra saúde. Aprendi que os ingênuos vivem mais felizes.

Como era de se esperar, tem muita gente confiante na volta de Lula ao Palácio do Planalto. Mesmo não querendo considerar eventuais pecados veniais e mortais que ele tenha cometido, alguns, por prudência, já falam em Haddad. Tem quem esteja acreditando no discurso de salvador de pátria de Ciro Gomes, que deve estar torcendo para que Lula se encrenque de vez na Lava-jato. Candidato bom de gogó, pretende atrair desvalidos políticos e usuários de bolsa família. Pouco tenho ouvido falar em Marina, que deve estar calculando riscos e avaliando oportunidades. Difícil saber o que pretende essa senhora de cabelos tão presos que já encantou tanta gente.

Com Serra e Aécio abatidos e Alckmin na linha de tiro, percebe-se que eleitores carentes começam a se entusiasmar com Dória, provavelmente imaginando que boas jogadas de marketing e conversas com empresários progressistas poderão sustentar um governo de muito sucesso. O que mais me impressiona mesmo é a convicção daqueles que acreditam piamente em Bolsonaro, talvez por imaginarem que o país entraria rapidamente nos eixos com medidas duras e algumas pancadas.

Esse meu estado de alma vem das certezas que tenho hoje: a economia ainda vai patinar bastante e por um bom tempo, a violência não vai esmorecer, os políticos vão continuar distraídos e preocupados em se salvar, a justiça continuará tardando e fazendo falta, o governo Temer seguirá sem credibilidade até o fim, as eleições já entraram, definitivamente, na ordem do dia, e o tempo não parará, por nada neste mundo.

Vitória, 17 de maio de 2017

Alvaro Abreu

Escrita para A GAZETA

Minuta de CRONICA

Acho que tem muita gente, como eu, vivendo um tempo sem perspectivas animadoras, sem pontos de referência para imaginar o futuro. Continuo com muita dificuldade em enxergar o que de bom e animador possa estar vindo por aí. Mas de algumas coisas eu tenho certeza: a economia ainda vai patinar bastante, a violência não vai esmorecer, os políticos vão continuar preocupados em se salvar, a justiça continuará tardando e fazendo falta, o governo Temer seguirá sem credibilidade e sob risco, alguns partidos poderão ser defenestrados, o tempo não parará de forma alguma e as eleições já estão na rua. Acreditar em alguma coisa traz esperança e deve fazer bem pra saúde.

Tem dia que até fico com uma certa inveja dos que já tenham escolhido em quem apostarão suas expectativas na próxima disputa pela presidência do Brasil.

Como era de esperar tem muitas pessoas depositando expectativas na volta de Lula, icarão reclamando de perseguição e não querendo acreditar em eventuais pecados veniais e mortais que tenha cometido. Alguns poucos já falam em Haddad.

Tem quem esteja acreditando no discurso de salvador de pátria de Ciro Gomes. O candidato é bom de gogó e pretende atrair desvalidos políticos e usuários de bolsa família. Deve estar torcendo para que Lula se encrenque de vez.

Com Serra e Aécio abatidos, tenho visto pessoas animadas com Dória, provavelmente acreditando que boas jogadas de marketing e conversas com empresários progressistas poderão sustentar um governo de realizações e muito sucesso.

Pouco tenho ouvido falar em Marina, que calada está e, pelo jeito, assim ficará até que possa dimensionar os fluxos e as ondas da política. Eu mesmo tenho dificuldades em saber o que pretende essa senhora de cabelos tão presos.

Ainda tem os que acreditam piamente em Bolsonaro. Estes parecem achar que a coisa será resolvida rapidamente com pancadas e medidas duras, que o país entrará nos eixos e a coisa fluirá facilmente.

Pode ser que alguns partidos venham a ter o registro cassado por recebimento indevido de dinheiros, complicando ainda mais a instabilidade do cenário.

Na Capital Secreta

Na Capital Secreta

Na semana passada aconteceu um fato relevante na Secretaria Estadual de Cultura. Firmou-se um termo de comodato com a Prefeitura de Cachoeiro para cessão de bens que foram da residência da família Braga por mais de cinco décadas. Aquela simpática casa em estilo de chalé, que depois abrigou uma animada biblioteca pública por muitos anos, era uma referência básica para mamãe. No fim da vida, ela costumava dizer que queria mesmo era voltar pra lá. Imagino que ficaria feliz ao saber que a mobília original da sala de jantar e do quarto de vovó Neném, trazida para Vitória, voltará ao seu lugar de origem, junto com objetos, pinturas, cartas e fotos de época, que guardou cuidadosamente.

A casa está inteiramente restaurada e adaptada para funcionar como espaço de convivência e visitação dedicado à Cachoeiro da primeira metade do século passado, quando a cidade fervilhava e ficou famosa. Muita coisa expressiva aconteceu por lá na educação, na cultura, na saúde pública, na infraestrutura urbana, na indústria e na política. A família do meu avô Chico Braga era uma das que movimentavam a vida da cidade. Ele foi primeiro prefeito, tabelião e um dos fundadores do Centro Operário e de Proteção Mútua. Dos tios, sei que Armando tinha um banco, Jerônymo um jornal, Newton, poeta de primeira, tinha agência de propaganda e programa de rádio, Carmosina foi a primeira mulher motorista e Rubem, que saiu cedo de lá, escreveu milhares de crônicas.

Também deve ser celebrado o que andaram fazendo as famílias Moreira, Gonçalves, Monteiro, Gomes, Baptista, Vivacqua, Rocha, Imperial, Freitas, Coelho, Lima, Casotti, Penedo, Marcondes, Secchin, Machado, Andrade, Silvan, Medeiros, Borelli, Mesquita, Silva, Mendes, Baião, Bermudes, Vianna, Mello, Valadão, Madureira, Vieira, Resende, Garambone, Athayde, Sampaio, Amorim, Franklin, Abreu, Leão, Moisés, Herkenhoff e muitas mais. Que a Casa dos Braga divulgue fatos e pessoas que ajudaram a transformar Cachoeiro em Capital Secreta quando Vitória, dizem, ainda era província,,,

Vitória, 03 de maio de 2017

Alvaro Abreu

Escrita para A GAZETA

Casa dos Braga

Na semana passada aconteceu um fato relevante pra muita gente por aqui. Firmou-se um termo de comodato com a Prefeitura de Cachoeiro, testemunhado pela Secretaria Estadual de Cultura, para cessão de bens que pertenceram a casa onde a família Braga viveu por mais de mais de cinco décadas. Aquela simpática casa em estilo de chalé, que abrigou a Biblioteca Municipal por muitos anos, era uma referência definitiva para mamãe. No fim da vida, ela costumava dizer que queria mesmo era voltar pra lá. Imagino que teria ficado feliz ao saber que a mobília original da sala de jantar e do quarto de vovó Neném, que estavam no seu apartamento em Vitória, voltarão ao seu lugar de origem, junto com objetos, pinturas, cartas e fotos de época, que guardou cuidadosamente.

A casa está inteiramente restaurada e adaptada para se transformar em um centro de informações sobre Cachoeiro na primeira metade do Século XX, quando a cidade fervilhava e ficou famosa. A família do meu avô Chico Braga era uma das que movimentavam a vida da cidade. Ele foi primeiro prefeito, tabelião e um dos fundadores do Centro Operário e de Proteção Mútua. Tio Armando tinha um banco, tio Jerônymo um jornal, tio Newton, poeta de primeira, tinha agência de propaganda e programa de rádio, tia Carmosina foi a primeira mulher motorista e tio Rubem escreveu milhares de crônicas.

Muita coisa expressiva aconteceu por lá na educação, nas artes, na saúde pública, na infraestrutura urbana, na indústria e na política. Vale a pena lembrar o que fizeram as famílias Moreira, Gonçalves, Monteiro, Gomes, Baptista, Vivacqua, Rocha, Imperial, Freitas, Coelho, Lima, Casotti, Penedo, Marcondes, Secchin, Machado, Andrade, Silvan, Medeiros, Borelli, Mesquita, Silva, Mendes, Baião, Bermudes, Vianna, Mello, Valadão, Madureira, Vieira, Resende, Garambone, Athayde, Sampaio, Amorim, Franklin, Abreu, Moisés, Leão, Herkenhoff e muitas mais. A ideia é que a Casa dos Braga divulgue acontecimentos e pessoas que contribuíram para consolidar Cachoeiro como Capital Secreta.

Muita coisa expressiva aconteceu por lá na educação, nas artes, na saúde pública, na infraestrutura urbana, na indústria e na política. Vale a pena lembrar o que fizeram as famílias Moreira, Gonçalves, Monteiro, Gomes, Baptista, Vivacqua, Rocha, Imperial, Freitas, Coelho, Lima, Casotti, Penedo, Marcondes, Secchin, Machado, Andrade, Silvan, Medeiros, Borelli, Mesquita, Silva, Mendes, Baião, Bermudes, Vianna, Mello, Valadão, Madureira, Vieira, Resende, Garambone, Athayde, Sampaio, Amorim, Franklin, Abreu, Moisés, Leão, Herkenhoff e muitas mais. Seria muito bom se a Casa dos Braga divulgasse acontecimentos e pessoas que contribuíram para consolidar Cachoeiro como Capital Secreta.

Vitória, 03 de maio de 2017

Alvaro Abreu

Escrita para A GAZETA

Casa dos Braga

Na semana passada aconteceu um fato relevante pra muita gente por aqui. Firmou-se um termo de comodato com a Prefeitura de Cachoeiro, testemunhado pela Secretaria Estadual de Cultura, para cessão de bens que pertenceram a casa onde viveu por cinco décadas a família Braga. Desapropriada em 1987, nela funcionou uma movimentada biblioteca pública.

Aquela simpática casa em estilo de chalé era uma referência definitiva para mamãe. No fim da vida, ela costumava dizer que queria mesmo era voltar pra lá. Imagino que teria ficado feliz ao saber que a mobília original da sala de jantar e do quarto de vovó Neném, que estavam no seu apartamento em Vitória, voltarão ao seu lugar de origem, junto com objetos, pinturas, cartas e fotos de época, que guardou cuidadosamente.

A casa está inteiramente restaurada e adaptada para se transformar em um centro de informações sobre Cachoeiro na primeira metade do Século XX, quando a cidade fervilhava e ficou famosa. A família do meu avô Chico Braga era uma das que movimentavam a vida da cidade. Ele foi primeiro prefeito, tabelião e um dos fundadores do Centro Operário e de Proteção Mútua. Tio Armando tinha um banco, tio Jerônymo um jornal, tio Newton, poeta de primeira, tinha agência de propaganda e programa de rádio, tia Carmosina foi a primeira mulher motorista da cidade e tio Rubem escreveu muita coisa boa e bonita.

Muita coisa expressiva aconteceu por lá na educação, nas artes, na saúde pública, na infraestrutura urbana, na indústria e na área da política. Vale lembrar o que também andaram fazendo as famílias Moreira, Gonçalves, Monteiro, Gomes, Baptista, Vivacqua, Rocha, Imperial, Freitas, Coelho, Lima, Casotti, Penedo, Marcondes, Machado, Secchin, Andrade, Silvan, Medeiros, Borelli, Mesquita, Silva, Mendes, Baião, Bermudes, Vianna, Mello, Valadão, Madureira, Vieira, Resende, Garambone, Athayde, Sampaio, Amorim, Franklin, Abreu, Moisés, Leão e Herkenhoff, só pra instigar a memória. A ideia é que a Casa dos Braga passe a expor fatos e personagens que contribuíram para consolidar a fama de Cachoeiro como Capital Secreta.

Vitória, 03 de maio de 2017

Alvaro Abreu

Escrita para A GAZETA