Antes que seja tarde

Antes que seja tarde

Em novembro de 2018, quase 5 anos passados, escrevi uma crônica intitulada Antes que seja tarde, que tratava de duas obras inacabadas que estavam à mostra no alto do edifício da FINDES, na Avenida Nossa Senhora da Penha, e um outra, enorme, na beira do mar do Canal de Vitória, bem diante do Convento da Penha. “Dá para supor que à imaginação de uns poucos dirigentes se juntaram a força dos egos e a vontade de deixar marcas na paisagem da cidade”.

Pelo que sei, a direção da FINDES deu por encerrado um longo período de aborrecimentos e constrangimentos gerados por uma estranha aranha de aço, visível de longe, e decidiu remodelar o espaço para abrigar usos mais compatíveis com as finalidades da instituição. Em breve ele estará sendo usado por quem trabalha com tecnologia e inovação, o que é muito bom.

Nada sei sobre as movimentações que culminaram na decisão de construir o chamado Cais das Artes. Hoje, ao término de mais um mandato do governador que achou por bem edificar aquela obra monumental com o propósito de incluir Vitória no circuito mundial das artes, fico pensando no destino daqueles esqueletos, agora sem pai nem mãe, expostos ao tempo e à maresia em época de vacas magras. Já apareceu quem defenda enfaticamente a sua demolição, e quem, em reação, tenha abraçado o tapume da obra.

Pois eu diria que é mais do que urgente conseguir que o Cais das Artes seja visto pelos capixabas como um poderoso instrumento de desenvolvimento das pessoas que vivem aqui. Só assim, apropriado pela população como um trunfo, seriam plenamente justificáveis os investimentos realizados e as verbas colossais para fazê-lo funcionar regularmente, quando pronto.

Nessa rota, é oportuno começar juntando as melhores competências disponíveis, aqui e alhures, para, livre de interesses rasteiros, megalomanias e atitudes ideológicas, formular uma agenda de ocupação e uso plural, inovadora e consistente, voltada prioritariamente para as nossas crianças, adolescentes e recém-adultos, a ser implementada de forma progressiva.

Vitória, 28 de novembro de 2018

Alvaro Abreu

Escrita para A GAZETA

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