Tempo de goiabas

Tempo de goiabas

Dia desses me mandaram uma foto histórica, na qual apareço abraçado ao tronco da goiabeira que existia no quintal da nossa casa, lá em Cachoeiro, com cara de moleque corajoso. Não devia ter mais do que uns 5 anos. Junto com ela veio a imagem que tenho na memória de papai me fotografando com uma máquina daquelas de sanfona. Mostrei-a pros netos, na expectativa de animá-los a aprender a trepar na goiabeira daqui de casa, que este ano está produzindo como nunca, sem parar.

As frutas estão perfeitas: graúdas, de casca grossa e, pela primeira vez, sem bicho, o que é fundamental. Imagino que essa fartura seja por conta de uma poda radical que fizemos em agosto passado, e das chuvas fartas que têm caído. Sem exagero, estamos tirando umas 40 goiabas por dia, tendo sido registrado o recorde de 58 unidades, o que pode ser facilmente comprovado por fotos e testemunhos pessoais.

O fato é que tirar goiaba virou um opção de diversão para os netos mais velhos. Malandramente criada por avô do tipo antigo, a atividade ganhou a disputa contra joguinhos de celular e desenhos na TV.

Instaurou-se uma acirrada competição entre eles, para ver quem tirava mais goiabas e também as maiores.

Galhos horizontais em paralelo, que permitem pisar e agarrar com as mãos, oferecem segurança e condições para se chegar nas grimpas, onde sempre ficam as frutas mais bonitas.

Sem dúvida, Gael foi o vencedor por boa margem, muito embora a norinha também tenha apresentado desempenho elogiável, bem acima dos resultados obtidos pelos filhos e pela sobrinha.

No que me cabe, a fartura e a qualidade das frutas desta safra têm possibilitado avanços importantes na produção caseira de doce de goiaba. Além dos tradicionais doces de orelha, feitos com pedaços grandes da fruta, também estão sendo realizadas, com sucesso, tentativas no segmento das goiabadas. Ainda não se conseguiu chegar na cascão verdadeira, talvez por usar pouco açúcar. Mas já foram produzidas panelas enormes de goiabadas cremosas, dessas de comer de colher, gemendo.

Vitória, 23 de janeiro de 2020

Alvaro Abreu

Escrita para A GAZETA

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