Depois das eleições

Depois das eleições

Estive em São Paulo na semana passada. No domingo fui dormir tarde, depois de muito conversar sobre as eleições, incluindo uma tentativa de virada que não aconteceu e, especialmente, sobre a vitória de um candidato messiânico. Uma falha do Uber resultou numa longa espera em frente ao portão do edifício, sob vento frio, uma correria por avenidas quase desertas com imperdoável erro de trajeto, um desembarque apressado em pleno engarrafamento para acessar passarela e uma correria inútil, com o coração afobado, até o balcão da companhia. Por dois minutos não conseguimos despachar a mala no voo das 6:30h da manhã, pagamos 600 reais para remarcar a viagem para perto do meio-dia e enfrentamos uma longa espera em cadeira de aeroporto. Aborrecido e morrendo de sono, li dois jornais com matérias e artigos típicos de edições do dia seguinte ao das eleições.

Pelo que li, agora o país tem um presidente limpando a própria mesa com gestos de garçom experiente e um outro recém-eleito, ainda espantado, experimentando os primeiros impactos do inevitável choque de realidade. Para completar, vi que já são quatro os candidatos a presidente da república nas eleições de 2022, inclusive aquele que, depois de constatar que a vaca tinha ido para o brejo, fez um grande esforço para se mostrar capaz de tirá-la de lá.

À noite, em casa, rodei pelos canais da TV em busca de opiniões e palpites sobre o que vem vindo por aí. As campanhas, à base de slogans e acusações de toda ordem, praticamente inviabilizaram espaço para o bom senso, não dando margem para avaliações serenas sobre possibilidades e opções de futuro. Opiniões de companheiros e de partidários escondem motivações e interesses particulares e inconfessos que pouco tratam do que seria possível e desejável para corrigir rumos, fazer fluir a vida e proporcionar a felicidade geral.

É bom que se saiba que, até o presente momento, não me envolvi em bate bocas inconsequentes, não me aborreci com qualquer parente nem briguei com um amigo sequer por conta de opiniões e escolhas. Sou um homem feliz por isso.

Vitória, 31 de outubro de 2018.

Alvaro Abreu

Escrita para A GAZETA

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