Atiçando o bairrismo
Na semana passada estivemos em Cachoeiro para as primeiras homenagens ao Cachoeirense Ausente Número Um deste ano, o engenheiro José Eduardo Moreira, Zédu, meu amigo de infância. Esperamos por ele no trevo da Safra e, em carreata, seguimos até o horto municipal, na beira da estrada, pouco antes de entrar na cidade. Seguindo a tradição, lá estavam o prefeito, vereadores, familiares, amigos, gente da imprensa e meninos uniformizados tocando tambor em ritmo animado, além de ativos fogueteiros. Felizes e orgulhosos, também o aguardavam cabos eleitorais da campanha para sua escolha. Todos saudando o filho ilustre no seu retorno à terrinha.
De lá, num grande cortejo liderado pela guarda de trânsito, fomos até o Centro Operário e de Proteção Mútua. A instituição, criada no começo do século passado para atender os trabalhadores das primeiras fábricas que se instalaram na cidade, abrigou também a escola da professora Palmira, que alfabetizou muita gente, inclusive os irmãos Newton e Rubem Braga. Falando manso, o homenageado atestou que Cachoeiro é sinônimo de amizade fraterna e duradoura e que ele, por ter sempre estudado nas boas escolas públicas da cidade, tem amigos de todas as origens e condições.
À noite, fomos à sessão especial da Câmara para homenagear os Cachoeirenses Ausente e Presente de 2016 e conferir títulos de cidadania cachoeirense a quem mereça. Festa pra quase mil, com comes e bebes pagos por empresas locais. No dia seguinte visitamos a Casa dos Braga, onde nasci, agora restaurada, pronta para receber o acervo da família e funcionar como espaço cultural e de referência da história da cidade. Na sequencia, participei da inauguração de um centro de atendimento a portadores de deficiência e, como testemunha, assinei ato do prefeito autorizando a reforma do Centro de Saúde Bolívar de Abreu, meu pai, que o dirigiu durante muitos anos e onde criou fama de profissional enérgico e competente. Como se tudo isso não bastasse, voltamos pra casa com minha Carol toda prosa com a sua nova cidadania.
Vitória, 29 de junho de 2016
Alvaro Abreu
Escrita para A GAZETA
