Notícia boa, exposição bacana, mensagem curiosa

Notícia boa, exposição bacana e mensagem curiosa

Domingo passado foi dia de boas emoções, saídas de fontes bem diferentes. A primeira delas veio, logo cedo e em letras garrafais, na manchete da capa do jornal que diariamente o entregador arremessa, de cima de uma moto em movimento, sempre no mesmo lugar. Anunciava milhares de salários altos que surgiriam com a implantação dos chamados Parques Tecnológicos, a começar pelo de Vitória, bem ali na região de Goiabeiras. Esse é sonho antigo de um punhado de idealistas, no qual me incluo, que  propuseram, no começo dos anos noventa, que o município reservasse uma área de mais de trezentos mil metros quadrados para ser ocupada exclusivamente por instituições de pesquisa e inovação e empresas de tecnologia. Fizemos aquilo pensando no futuro da cidade e nas pessoas que nela viveriam. Pelo que leio no jornal, o futuro entrou definitivamente na pauta de trabalho das autoridades e vai se materializar exatamente no espaço que lhe foi reservado. Confesso que me animei. Quem viver, verá.

Por volta das onze da manhã foi a vez de emoções em família. Fomos visitar, mais uma vez, a exposição do centenário de Rubem Braga, lá no Palácio Anchieta. Era o último dia de visitação da mostra, que começa a ser desmontada para ser instalada no Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, lugar onde sempre acontecem exposições interessantíssimas, como a que vi sobre Guimarães Rosa. Não tinha muita gente, mas todos os que lá estavam se moviam lentamente entre as escrivaninhas de redação e os textos afixados nas paredes cobertas por cópias de páginas de jornais antigos. As pessoas se postavam quietas diante das vitrines, vendo fotografias, documentos, cadernetas de anotações, textos originais com correções à mão e tudo o mais. Algumas, distraídas, suspiravam fundo, talvez pelo impacto do que liam. Outras, davam sinais de espanto com informações sobre as andanças do cronista por esse mundo afora. Foi muito bom encontrar velhos conhecidos e, juntos, assistir os depoimentos de amigos saudosos de Rubem, gravados na varanda e no pomar de sua cobertura. Ziraldo, Ana Maria Machado e Danuza Leão são dos que fazem rir e chorar, lendo crônicas e contando histórias. Estamparam na tela admiração e carinho pelo velho Braga, amigo dos amigos, amante das mulheres, homem que gostava de passarinhos e das coisas simples, como uma boa goiabada de Campos com requeijão de Cachoeiro. Uma bela homenagem ao nosso maior cronista. Quem lá não foi, perdeu.

Para finalizar o dia, que teve almoço em casa, em torno de um pernil de cordeiro com couscous marroquino, foi a vez de emoções trazidas por uma mensagem inusitada, enviada por uma pessoa que me viu, faz tempo, falando sobre crônicas no Centro Cultural Magestic, na Cidade Alta. O texto era tão curioso que resolvi compartilhar sua leitura com as poucas pessoas da casa. A cada parágrafo lido, uma surpresa seguida de um sorriso meio aflito, por não se saber exatamente onde aquilo tudo iria dar. Somente no último deles, como convém às boas narrativas, é que o remetente revela a motivação maior da iniciativa e externa suas expectativas: “..tirar umas dúvidas sobre ‘como escrever’ ou, como você disse no Café Literário, como ‘pescar o safado do leitor’”. A capacidade de emocionar e prender a atenção até a última linha é própria dos bons narradores de histórias, acontecimentos e cenas cotidianas. E isso, o nosso ilustre remetente desconhecido demonstrou possuir. Por certo, o exercício da escrita solta fará o resto. E então, quem ler seus escritos, gostará.

Vitória, 28 de maio de 2013

Alvaro Abreu

Escrita para A GAZETA

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