Nas estradas

Nas estradas

Na última terça feira, bem quando começava a primeira chuva depois da estiagem deste verão, despachamos um filho, uma nora e três netos para São Paulo. Foram em carro lotado até o pescoço e com uma bicicleta pendurada na traseira. A arrumação da bagagem foi feita na véspera, para deixar tudo pronto para a viagem que começaria com os meninos ainda dormindo no banco de trás entre cobertas e travesseiros. Malas de todos os tamanhos, muitas mochilas, sacolas e pacotes, case com violão, caixa de som, pedestais de microfone, ventilador de teto desmontado, alguns brinquedos e uma bola de futebol. Para complicar mais um pouquinho, foi necessário refazer a primeira arrumação para poder colocar por baixo de tudo o tal carrinho de rolimã do vovô, que não poderia ficar pra trás. Em seguida, tive que aprender a colocar bicicleta num desses racks que se vê por aí. Por precaução, usei tiras de borracha de câmara de ar, recurso poderosíssimo para fixar o que precisa ser fixado com garantia.

O farnel pra viagem foi feito na véspera. Foram levando duas sacolas de sanduíches sortidos, as maçãs e ameixas que encontrei na geladeira, biscoitos, garrafinhas de água, além de copos de plástico, guardanapos de papel e um pano de prato. Para os motoristas, uma garrafa térmica com café feito pouco antes da partida.

A operação de enfiar no carro todos – eu disse todos – os itens da bagagem de fim de férias longas aqui e no sul da Bahia, foi feita com base em experiência adquirida ao longo de anos de levar de um lado para outro uma família que não parava de crescer. Sempre a bordo de um Corcel 73 e seus sucessores, até adotarmos de vez, os modelos com bagageiro espaçoso e aberto pra dentro. As crianças adoravam viajar dormindo lá atrás. Fugindo da Kombi, resolvemos comprar um ônibus que, transformado em simpático trailer, facilitou o serviço de levar mulher, cinco filhos, arara e amigos para passear. Além de muito espaço e conforto, as viagens no busante tinham sempre um gostinho de aventura e ainda hoje não saem da lembrança de muita gente.

Vitória, 06 de fevereiro de 2019

Alvaro Abreu

Escrita para A GAZETA

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