Em meados de dezembro

Em meados de dezembro

Lá se vai mais um ano. Desses de deixar qualquer um desanimado, tantas foram as bandidagens e as falcatruas praticadas por pessoas físicas e jurídicas, públicas e privadas, com destaque para a vergonhosa não duplicação da BR-101. Em compensação, no plano pessoal 2017 tem sido um tempo de coisas boas, a começar pelo nascimento de mais um neto, o sétimo.

Por demanda de Carol, plantei samambaias, crotons, bambuzinhos e orquídeas na lateral da casa e instalei treliça para que a trepadeira sapatinho de judia se espalhe no alto da parede da varanda. Tomei coragem e arrumei, depois de uns 10 anos, meu armário de recursos variados para qualquer macgyver amador, como eu. Agora sei o que tenho e onde encontrar parafusos, pregos, fitas, arame, cola, fios, canos, rodinhas e tudo o mais que venha a precisar para fazer brinquedos e consertar o mundo. Com muita dó, joguei no lixo muita coisa com enorme potencial de aproveitamento.

Esperei sem pressa a chegada dos meus 70 anos para comemorá-los ao lado de gente muito querida. Além de vinhos, cachaças e roupas, ganhei doces, ferramentas e um filhote de arara canindé totalmente legalizado. Movido por uma estranha compulsão de consumo, me dei de presente uma micro-retificadora para trabalhos leves e de precisão, que ainda não aprendi a usar com destreza. Da saúde, não posso me queixar, mas estou há quase dois meses ouvindo pouquíssimo, à espera de aparelhos auditivos que me permitirão conversar em ambientes barulhentos e ouvir todas as notas da música que estiver tocando.

Por falta de tempo, fiz menos colheres do que mereço, mas passei bastante. Estive em Corumbau, na Bahia, em São Paulo, no norte do Uruguai e no sul dos USA. Isso, sem contar as idas a Cachoeiro para tratar da reabertura da Casa dos Braga que, inteiramente restaurada, recebeu de volta móveis e objetos da época em que o meu pessoal morava lá. Por pouco não fui a Manchester, na Inglaterra para montar mais uma exposição de colheres, mas soube que pretendem realizá-la em Londres, no ano que vem.

Vitória, 13 de dezembro de 2017

Alvaro Abreu

Escrita para A GAZETA

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