Casamento de caçula

Casamento de caçula

Veio gente de São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro, Petrópolis, Ouro Preto, Alegre e Salvador. A festa começou às quatro da tarde e teve quem saísse de lá com dia claro. Eu mesmo aproveitei umas oito horas de comemoração. Sou do tipo de pai de noiva que trabalhar sem parar até que tudo fique como a filha exigente idealizou. E mais, a tensão das últimas horas, por conta das ameaças de chuva pesada, consumiu muitas energias vitais. Se chovesse como choveu em quase todos os lugares em volta, a cerimônia do casório a céu aberto iria por água abaixo, literalmente. Do alto do morrinho, mar adentro, como no tombadilho de um navio, dava para acompanhar a movimentação das nuvens carregadas no horizonte e conferir as chuvas caindo alternadamente nos quadrantes sul, norte, leste e oeste. Talvez em função de muita reza forte, o céu clareou no meio da tarde e o vento soprou o suficiente para refrescar o ambiente.

Tem gente que compra pronto, mas o pessoal daqui de casa prefere fazer a festa completa. Desta vez, o projeto de decoração incluía dezenas de barquinhos de papel, centenas de borbulhas, muita corda grossa, conchas variadas e tudo o mais. Nas últimas semanas a nossa casa virou uma espécie de barracão de escola de samba, com muita gente medindo, cortando, dobrando, colando, enfiando, amarrando e empacotando o que seria usado para enfeitar o lugar da cerimônia, o salão principal, a pista de dança e até os banheiros, tudo isso complementado pelos fartos arranjos de flores e cortinas brancas contratadas. Na véspera e na manhã do sábado, correndo contra o tempo, foi a vez de pendurar o lustre de cordas, a cortina de barquinhos, as fieiras de borbulhas, de montar um enorme painel de milhares de escamas em papel colorido e de finalizar o bolo de nove formas.

A noiva estava uma sereia belíssima e o noivo, um marujo aprumado.  Um grande amigo contou, com palavras emocionadas, a história do namoro dos dois. Os noivos fizeram juras de amor e abriram as comemorações sob as palmas amorosas dos presentes.

Vitória, 27 de julho de 2016

Alvaro Abreu

Escrita para A GAZETA

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